A investigação sobre o ciclo de crescimento agrícola brasileiro – oportunidades e problemas experimentados pelo setor – é o assunto de uma série de artigos assinados por Fernando Homem de Melo, professor titular do Departamento de Economia da FEA-USP e pesquisador da FIPE, a ser publicada no Boletim Informações FIPE (BIF) ao longo dos próximos meses.
O primeiro deles, que analisa o período que compreende a crise de 2005/06 à recuperação em 2007/08 e o início do ajuste contracionista em 2005/06, foi publicado no BIF de setembro.
Homem de Melo procura mostrar que, de fato, o Brasil iniciou um novo ciclo de crescimento agrícola (indagação que faz no início do texto e que norteia sua análise), apesar de uma redução da área de plantação de grãos e de uma queda na renda bruta do setor nos anos mais recentes.
De acordo com o professor, a principal razão para a crise (renda agrícola) em 2005 e 2006 foi o forte aperto monetário feito pelo Banco Central em setembro de 2004 e novembro de 2005. Sendo que, neste último, a taxa básica de juros, a Selic, chegou a 19,75% ao ano.
Durante o período de aperto monetário, houve apreciação cambial de 26,4%, quedas nos preços em reais das mercadorias e endividamento – o qual se arrasta até hoje. Em uma comparação entre os anos de 2003 e 2004 e os anos 2005 e 2006, a agricultura perdeu R$ 49,5 bilhões em sua renda bruta, revela Homem de Melo.
A safra 2006/07, sofrendo os efeitos de uma taxa de câmbio de R$ 2,166/ US$, teve redução de área plantada (com destaque para a soja) e preços menores, porém a produção foi maior por causa do desempenho da produtividade. Para o professor, 2007 marca a transição para um novo ciclo de crescimento do setor agrícola brasileiro.
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